- Mamãe, já faz dois anos que a Dynna morreu e eu fiquei sozinho cuidando do Dlagan e já está na hora de tocar a minha vida, você não acha? - Perguntou Gunther com o filho no braço.
- Que bom meu filho que você pensa assim, eu fico muito feliz. - Falou a senhora de cabelos grisalhos.
- Obrigado mãe. - falou o filho dando uma pausa procurando palavras. - E é pensando nisto que eu arranjei outra mulher e vou me casar em breve.
- Mas já? Assim tão de pressa? - Exclamou Elenee, sua mãe, muito surpresa com a notícia.
- Sim. E nós vamos morar numa cidade pequena, fica um pouco longe daqui, porém muito aconchegante.
- Comentou Gunther sem jeito, pois estava planejando algo.
- Você tem que ir mesmo atrás da sua felicidade meu filho, eu desejo que vocês três sejam muito felizes. Escrevam uma nova pagina em sua vida, sei o quanto foi duro pra você ao perder a sua esposa. - Falou com um carinho maternal.
- E esse é o problema mamãe. - Gunther deu outra pausa até continuar a falar meio gaguejando. - Eu... Eu vim aqui pra te dizer que vou deixar o Dlagan com a senhora, e prometo que venho visitá-lo nas horas que precisar.
- Mas ele é seu filho, tem que está sempre com você Gunther.
- Mas mamãe!!. - Gritou com dor ao dizer as palavras. - Ele me faz lembrar a Dynna e todo que eu quero nesse momento é esquecê-la, você mesmo disse que eu tenho que mudar a pagina da minha vida e com ele não dá. Quero tocar a minha vida.
- Mas meu filho não é assim que se faz pra mudar de vida. – Enfatizou - Ou o seu filho não significa nada pra você?
- Toda vez que eu olho pra ele me lembro de tudo e é aí que está o problema. Eu tenho certeza que foi ele que matou a Dynna.
- Não diga besteiras. – Reclamou aos gritos Elenee, pois não admitira dizer isso com o seu neto. - Ele é só uma criança.
- Bem. Eu só vim perguntar se a senhora pode ficar com ele, se não eu o entrego a outra família que cuidou da Dynna. - Falou Gunther sério e decidido.
- Você seria capaz de fazer isso Gunther?
- Sim. Claro, e já me decidi. Vai querer o garoto ou não?
- Que gritaria é essa? O que está acontecendo? - Nesse momento entra a irmã do Gunther às quedas.
- O seu irmão não quer mais o filho. - Falou a avó triste ao ver os dois filhos.
- kkkkkk!!!. E quer entregar o filhinho pra quem?
- Perguntou Gim com desdém.
- Se a mamãe quiser. - Retrucou Gunther, para que sua mãe cedesse ao pedido dele.
- Tá de brincadeira? De jeito nenhum eu vou querê-lo aqui. As duas já está bom demais, e outra, ela não está em condições de criar ninguém.
- Quantas você bebeu hoje hem? - Criticou Gunther querendo criar uma confusão, pois sua mãe não suportaria vê-los brigando e cederia de uma vez por todas. - E olha que não está nem na metade do dia.
- Que nada. Eu só tomei duas doses e você não tem nada haver com isso, da minha vida cuido eu tá?
- Muito bem Gunther. - Falou sua mãe para interrompendo mais falatórios entre os dois. - Já que é assim eu fico com o meu neto, mas com uma condição, não o deixe sozinho. Não abandone. Ele é seu filho.
- A senhora ficou louca? Vê que não tem condições de criar esse garoto. Já esta velha, não pode nem cuidar de se mesma. - Gritou Gim segurando na mesma para não cair da embriaguês. - E não venha pedir a minha ajuda, se quiser cuidar desse zinho ae, é por sua conta, eu não quero nem saber, só não diga que eu não te avisei.
- Cale essa boca Gim. - ordenou Elenee com autoridade.
- E ver se toma um bom banho gelado pra tirar esse mal cheiro de bebida. Já pro banho vamos.
- Mamãe, obrigado por ficar com o Dlagan. - agradeceu Gunther triste de uma certa forma, mas decidido no que queria. Pois não voltaria atrás, e seguiria em frente.
- Eu vou ser muito feliz eu prometo, e não se preocupe que eu venho visitar ele.
- Eu espero mesmo que você cumpra com sua palavra.
- Falou a sua mãe pegando o jovem inocente Dlagan nos braços que não entendia nada do que estava acontecendo,
- Seja muito feliz meu filho.
Com isso Elenee deu as costas pro filho trancando a porta e segurando o seu único neto a quem tanto queria bem, não importava o que a sua filha dizia, ela iria cuidar muito bem dele, pois Onovall era também uma parte dela, a mais preciosa e não abandonaria como os seus filhos fizeram, até porque ela não conhecia o paradeiro de ninguém da família de sangue dele. Até achava isso muito estranho, mas nunca fez nada, e assim o garoto ficou por muito tempo.
Dlagan Onovall ia crescendo a cada dia, e tendo entendimentos, uma vez por ano via o pai. Soube como a mãe falecera, o porquê o pai não morava com eles, e que de uma certa forma estava só, pois a única pessoa que era amorosa com ele era sua avó. Com isso ele ia crescendo sozinho não tinha e nem queria cultivar amizades, a maior parte do dia estava deitado no seu quarto contemplando um telhado velho imaginando o nada, estava sem ânimo algum. Levava uma vida medíocre.
Até que um dia exatamente aos seus onze anos de idade, sua avó veio com um laudo médico. Muito aflita e triste.
- O que a senhora tem vovó? Perguntou Dlagan.
- Estou com uma doença muito grave meu filho. – Falou Elenee desconsolada.
- Mamãe como foi os exames? - Perguntou Gim que por um milagre ainda estava sóbria.
- Nada bom minha filha. Nada bom.
- Meu Deus, não acredito!! - Exlamou a filha perplexa olhando os exames com resultados que não esperava.
– Tem certeza que eles são da senhora mamãe?
- O que está falando neles? - Perguntou Dlagan curioso com a aparência repentina das duas.
- Sai pra lá pirralho. Isso não interessa a você. - Gritou a sua tia, pois não suportava o garoto.
- Eu já te pedi Gim pra você falar com ele direito, será que pelo menos agora você pode fazer isso?
- Por que falaria mamãe? Olhe só o pai dele, já está demorando a visitar e eu que estou errada? Eu não gosto dele e pronto, não peça pra que eu venha mudar isso.
-É. Já está na hora dele voltar a ser pai novamente, eu não sei até quando estarei viva, infelizmente. – A pobre senhora falou isso fixando os seus olhos em seu neto, triste e pensando no seu filho que tanto parecia com ele quando criança.
E meses depois a avó veio a falecer, da doença terminável, com isso, Dlagan veio ficar mais sozinho ainda, sua tia jamais daria os cuidados certos como sua avó, pois só vivia bebendo nos bares e quando chegava em casa batia nele por nenhum motivo e ainda agredia verbalmente dizendo que ele estragou com toda sua família. Até que os vizinhos ao verem a situação, localizaram o pai. E o obrigaram a cuidar do filho ou seria preso por abandono.
